Express Yourself:
Sexta-feira, Julho 04, 2008
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o que vem de cima/2007
E então choveu... Dias e dias sem escrever, dias e mais dias sem chuva, séculos e milênios. Até agora, quando transbordei – imagem batida, depois de capotar, parei na contramão. Mas foram realmente muitos dias, e por muitas vezes eu esbocei um sorriso enquanto via a paisagem cinza pela janela do metrô, entre ombros e cabeças, gás carbônico. Li ontem em um jornal qualquer, notícias que passam rapidamente por meus olhos, flashes de alegrias e catástrofes, um pai que reencontrou o filho quarenta e nove dias perdido na selva amazônica. Havia saído para pescar, se perdeu, o pai procurando, o pai persistindo, até que o achou e o abraçou – e o filho disse "Pai, estou em casa" e morreu logo em seguida. Isso ficou porque foi verdade, saiu no jornal, você não viu? Isso ficou porque é bonito e horrível, sinto vergonha de mim mesmo quando digo que é horrível e bonito. Não quero mudar de parágrafo, tenho medo de perder o fio da meada, parar de escrever. Um dia ainda escrevo e escrevo até sangrar, até algo acontecer, a ficção se misturar à realidade, ou a realidade se perceber finalmente ficção. Ou nem sei mais o quê. Queria mesmo era abrir minha cabeça e poder ver meus pensamentos, caixa de Pandora, conseguir retirá-los de lá e analisá-los, como quando comemos uma romã. O medo passou.
Convém não confundir as estações. Porque o que há deve ser leve e amoroso. Aquilo que me disse sob o céu azul... Aquele abraço... Não sei por quê. E foram momentos. E se eu pudesse, ah, se eu pudesse carregar tudo comigo, como numa caixa, e poder mostrar: olhe, foi isso tudo o que eu vivi. Lembro-me de Mrs. Dalloway carregando sua vida e mostrando-a a seus pais. Aquela beira do lago... Se eu pudesse me lembrar... Ter de viver e, vivendo, não saber qual momento será esquecido e qual estará para sempre guardado em mim.
Agora sinto que posso capturar tudo, por um momento, todos os momentos. Ser capturado, andar sobre o fogo. Fugir de mim mesmo, me reencontrar somente amanhã de manhã, me dar uma folga, sabe? Às vezes fico cansado de me carregar pra tudo que é lado, me olhar sempre no espelho, ser minha companhia toda a vida. Não sei se vou poder me agüentar pra sempre naqueles piores momentos. A vida vale absolutamente nada, e é a única coisa que temos.
ACONTECIMENTO LITERÁRIO do mês!!
A Bruna criou um Blog! Acessem o
Delíriolilás!!!
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(o link já consta aí do lado!!!)
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POR EM
12:42 AM
Express Yourself:
Quarta-feira, Março 26, 2008
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My dear,
Agora estou já no hotel, foram 8 horas de viagem do México até aqui. Não consigo imaginar que horas sejam agora, estou completamente perdida, mas não poderia deixar de escrever a carta que lhe prometi quando nos despedimos no aeroporto. Vim pensando durante todo o caminho (e tive muito tempo para pensar!) em como começar isto, o que dizer, como terminar. Como terminar? As coisas terminam? Não sei. Em mim, parece-me que as coisas duram, grudam na pele e ficam, como um perfume forte.
Assim que entrei no hotel me lembrei de você. Na entrada havia umas lindas palmeiras, muito grandes mesmo, e na hora veio à minha cabeça nossa viagem àquela praia deserta sem nome. Éramos tão felizes naquele tempo. Tínhamos tão pouco, tão pouco dinheiro, tão poucas roupas, nosso inglês não era nada bom.
Quando trocamos nossas esperanças por medos e nossos sonhos por planos?
Não sei. Trouxe duas grandes malas. Cheias de coisas que com certeza não irei usar. Um estoque de roupas para passar um ano aqui ou em qualquer lugar do mundo. Conquistamos tantas coisas, não é? Eu sempre me lembro do nosso péssimo inglês quando decidimos, ainda jovens, fazer intercâmbio. Nossa! E hoje conseguimos conquistar tudo o que queríamos.
Mas quando trocamos nossos sonhos por planos?
Enfim. Fiquei de lhe escrever porque devo uma resposta à sua pergunta. E a resposta é não. No avião, acima das nuvens e talvez acima do bem e do mal, pensei que nada mais tem importância. Que eu estava como uma folha em branco pronta para ser escrita, rabiscada, ou amassada e jogada no lixo. E não posso negar que isso me trouxe uma excitação enorme! Desculpe-me se te magôo.
Nosso erro foi termos trocado nossos sonhos por simples planos, nossa luz acabou, juntos não mais falamos a mesma língua. E se agora eu lhe falo isso de maneira tão prática é porque pensei muito e achei que a melhor forma de se dizer uma coisa é dizendo. Estou exausta e excitada, e acho que isso também influencia.
Fico imaginando o que deve estar fazendo agora. Espero mesmo que esteja bem. Não sei o que me passou pela cabeça quando decidi evaporar. Você me entende?
Amanhã postarei a carta bem cedo.
Um grande beijo.
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POR EM
3:57 PM
Express Yourself:
Quarta-feira, Março 12, 2008
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1.
E do amor gritou-se escândalo,
do medo criou-se o trágico,
no rosto pintou-se o pálido
e não rolou uma lágrima,
nem uma lástima para socorrer.
Não existe possibilidade alguma de eu me mover. Naquele segundo, bem menos do que um segundo - aquele instante infinitesimal -, estranhei o que era de mais seu em mim. Descarregada toda a burrice que você levou uma vida inteira para acumular, restou-me o ócio amoroso. Mãos inúteis, corpo dolorido, pés plantados por horas.
Era um caminhão de merda. E em um segundo, em um único momento meu de fraqueza e de ouvidos apuradíssimos, pude sentir o gosto pouco agradável da sua sujeira. Era como cair de boca ao chão, todos os dentes se espatifando, a dor subindo pelos nervos, enchendo meus olhos de lágrimas, meus olhos que não deveriam inundar por você... Com tanta gente precisando de sentimento.
Não. Não era para você, com seus olhos sempre abertos, óculos escuros, alma isenta de marcas. Eu que ando num labirinto à procura do impossível, sem querer sair do labirinto jamais, não consigo a sua realidade. (O que você enxerga, darling?) Tampouco você consegue arranhar a minha vida, e fica dando voltas, perguntando-se o porquê dos pesados círculos que traço até chegar aonde seu coração repousa.
O fato, vamos tratar de fatos meus, é que nesse momento de liberação, de libertação talvez, escapulindo-me pela abertura da garrafa, na impossibilidade de sintetizar tudo o que tenho a dizer, eu no labirinto, escrevo. Como se o amanhã não fosse acontecer jamais. E eu fosse eternamente madrugada. E palavras.
(Escrevo como sentado na praia, esperando o sol se pôr completamente, olhando para o céu em fogo acima de mim. Porque eu sei parar o tempo)
Mas da lágrima? Daquela primeira e das muitas outras que se sucederam nos minutos de angústia e de liberação, não sobrou nem sequer uma. Partiram, abandonaram a mim. Você, ao final daquele segundo em que me fez saborear o gosto pestilento da sarjeta, da noite o chão saturado, suspendeu-me ao mais alto possível.
2.
E na gente deu o hábito
de caminhar entre as trevas,
de murmurar entre as pregas,
de tirar leite das pedras,
de ver o tempo correr.
Flores pisoteadas. Uma imagem. Amores, vãos. Mãos aos céus. Deu o hábito de não mais olhar nos olhos dos outros e de olhar tanto para si a ponto de se conhecer um nada! Petrificamo-nos.
Oh, my life is changing every day, in every possible way. Se já não falo é porque palavras não mais existem. Já me despedi. Esqueci de lhe contar (perdoe-me), mas acredito em muitas coisas.
Amassados em vagões de metrô, tentamos enxergar o horizonte todos os dias. Respiro. Saber se doer, saber se curvar diante do belíssimo sentimento, e doer e doer e se erguer e se doer novamente. Numa próxima esquina. Acredito que é assim que conseguimos ser humanos.
Ontem, infantil, sua maciça sabedoria me disse que o amor não existe mais. Que se mudou para outra galáxia. Eu, com o que restou do peito pulsante, infinito dilacerado, respondi que não. Que basta sentir o sentimento.
3.
Quando chove é porque o céu está cheio e não agüenta mais. Ontem, chovi.
Mas sob o sono dos séculos,
amanheceu o espetáculo.
Como uma chuva de pétalas,
Como se o céu vendo as penas
morresse de pena
e chovesse o perdão.
Paralisado, pensando estou. Aqui, por entre. Sincero por entre cada milímetro de mim, em você. Tudo tão distante já. O que sobrou do meu vazio, um isso, espero conservá-lo e que me esvazie mais. E leve, ser preenchido, ocupado, invadido. Amo cada cicatriz, cada pêlo meu. É com eles que posso sentir os seus. Os dos outros já. Amo o ser desmedido. Reconhecer com dificuldade minha geografia, percorrer espaços, colisão de corpos. Chuva torrencial.
Amo o eterno movimento de me perder para depois me achar, pois é assim que pressinto a alquimia da vida. Amo a maneira como lamentei as muitas idas, mas amo muito mais diabolicamente como as esqueci. Matei fantasmas a tiros de espingarda. Preenchi vazios com corpos tão marcados quanto o meu.
4.
E a prudência dos sábios
nem ousou conter nos lábios
o sorriso e a paixão.
Ainda não lhe falei sobre como é interessante olhar os detalhes do mundo. Sobre como era sacrificante para minha alma se abrir para um alguém tão desatento. E não: parto, mas não há lugar no avião para você.
Ainda acho que não é isso.
Sentados no carro, beira de estrada, vento ventania, os braços para fora da janela apontavam já a outra direção, a minha. Eu devia ter pressentido. Mas meu sexto sentido não estava ligado. Ainda penso que o que ficou faltando não pode ser comparado a uma peça de quebra-cabeça. Abra los ojos, lembro-me de um filme. Vice viu? Não, não é mesmo?...
Abra mais os braços. Limite? Eu já expandi e encolhi milhares de vezes e consegui me manter vazio. Todos os vapores da terra e as vozes dos loucos pedestres, os ruídos do trânsito, o calor dos edifícios, tudo entra por mim e me preenche, sem me preencher jamais. Contento-me com o vazio. Fico leve. Insuportavelmente leve. Não consegue suportar o peso da minha risada, das minhas palavras? Permanecerei um axioma diante da sua fria inteligência. Bato à porta.
(Momento de revelações sucessivas, folhas que viram com o furacão, tapas na cara, cortinas que se abrem umas após outras, uma corneta anuncia algo).
5.
Pois, transbordando de flores,
a calma dos lagos zangou-se,
a rosa-dos-ventos danou-se,
o leito dos rios fartou-se
e inundou de água doce
a amargura do mar.
De longe, olho os outros eus que ficaram pelo caminho, os eus que poderiam ter sido, os que eu matei aos gritos. Uma multidão de objetos-eu, de eus diáfanos, eus plasmados, fotografias, cinema antigo.
Uma planta nômade passa rolando pela estrada.
Eu sei parar o tempo, eu sei pará-lo. Sei pasmar, ficar de queixo caído. Enfrentaria uma fila de horas só para lhe dizer como é bom estar vivendo esse momento, eu aqui, dentro da esfera da lucidez. Pronto, acabei de nascer de novo. Será assim sempre? Você, horrorizado (não coma as unhas), pergunta-se o tempo todo que espécie de criatura sou eu.
6.
Numa enchente amazônica,
numa explosão atlântica!
A multidão vendo em pânico,
a multidão vendo atônita,
ainda que tarde, o seu despertar.
E eu nem sei mais o que isso significava. Nem sei mais se significa algo. Porque no fim das contas é isso mesmo: precisamos ser sérios e fúteis, carregar pedras e largar coisas pelo caminho. Eu só sei que queria ter mais momentos de revelação do óbvio que não consigo ver na maioria das vezes. Que queria poder enxergar um segundo que fosse à frente, para evitar catástrofes e flores pisoteadas. Ou então para ganhar dinheiro fazendo previsão do futuro.
Despertar.
Despertar.
Despertar...
Agora os créditos sobem. Isso mesmo! Seu nome não está lá. Eu continuo na primeira fila, com pipoca e os pés esticados na poltrona da frente. Dou um sorriso, ando em direção à saída, aliviado, com a sensação de que uma enchente passou através do meu corpo. E nem vejo quando os créditos terminam, nem quando a música pára, nem quando aparece em letras grandes na tela o por mim tão esperado THE END. Agora já nem importa mais.
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POR EM
11:28 PM
Express Yourself:
Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
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Eu queria ter paciência para esperar que as máscaras caíssem. Mas não tenho.
Queria ter um sono só de sonhos. Mas nem pesadelos cultivo. Passo dormindo sem imagem alguma na minha cabeça. E sonho acordado todos os dias.
Eu queria encontrar algo que tivesse um valor absoluto: a verdade absoluta, o sentimento absoluto, a calma absoluta, o amor absoluto. Mas em absoluto nada disso existe nem nunca existiu.
Eu queria o silêncio. Mas precisamos falar para não nos tornarmos loucos.
Eu quero o amor da flor de cacto
Ela não quis
Eu dei-lhe a flor de minha vida
Vivo agitado...
Eu já nem sei se sei de tudo ou quase tudo...
Eu só sei de mim, de nós, de todo o mundo
Eu solto o ar no fim do dia...
Eu já nem sei se sei de nada ou quase nada...
Eu só sei de mim, só sei de mim, só sei de mim...
Serei doce por via das dúvidas
Mas não esqueça meu gosto primeiro.
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POR EM
7:28 PM
Express Yourself:
Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008
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Era para ser assim? Não, não era. Mas do jeito que está já é grande coisa. Nem eu mesmo sei do que stou falando. E foda-se.
Eu quero é momentos. Recortes, flashbacks sucessivos, happy end's, estrelas, minha estrela.
Eu quero é beijos intermináveis... Ser delirantemente feliz. E só.
É pedir muito?
"Sou eu mesmo o trocado
O emissário sem cartas nem credenciais
O palhaço sem riso
O bobo com o grande fato de outro
Quanto fui, quanto não fui tudo isso eu sou
Quanto quis, quanto não quis tudo isso me forma
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim
Sou eu mesmo a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões da província.
(Nandinho Pessoa)
AMOR
Por que tem que ser assim
Ninguém nunca vai saber...
A bomba relógio
arma-se sozinha
e explode em nervos
de um segundo
(eu mesmo)
"Eu sei que por trás desse universo de aparências, das diferenças todas, a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido. Mas existe uma palavra que não suporto ouvir e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas quero você agora!
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo o teu jogo triste e as tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria mesmo fora de si, te amo pela tua essência e te amo até pelo que você podia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te rebanhado nas águas do equívoco.
Te amo nas horas infernais e na vida sem tempo...
Te amo pelas crianças e futuras rugas.
Te amo pelas tuas ilusões perdidas e teus sonhos inúteis...
Amo teu sistema de vida e morte, te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras, te amo desde os teus pés até o que te escapa.
Te amo de alma para alma e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defenda quando digo que te amo mais do que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila."
(autor desconhecido)
Eu quero ficar perto de tudo que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência, meu pacto com a ciência
O meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio-relógio mostra o tempo errado
Aperte o Play
Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista, não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for, eu vou assim, não vou trocar de roupa
É minha lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais, depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei
As vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando tô a fim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia
Agora eu sei...
(Danni Carlos)
fiquei de te conservar
intacto
daquele jeito
como quando te conheci
mas sinto que vou
tomar mais um pouco
de seus minutos
pra mim.
(eu mesmo)
... e só eu vou saber o que se passa no meu coração. Apesar de achar que meu coração já tomou conta do mundo..
POR EM
1:23 AM
Express Yourself:
Sexta-feira, Janeiro 25, 2008
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Porque é importante saber ir para a frente. É importante saber estar paralisado de terror. É importante prestar atenção ao trânsito. Sim, ainda continuo atravessando ruas sem olhar para os lados, ou olhando para a contramão. Tanto tempo se passou, não é? Mas ainda sou o mesmo. Mesmo depois de tanta coisa acontecida. Tanta coisa acontecida entre nós. Penso que existem os que conseguem conservar o sentimento por muito, muito tempo; os que não conseguem, que mudam com a Lua; os que esquentam e os que esfriam com o tempo. Em que categoria me encaixo? Não sei. Às vezes sou capaz de conservar uma emoção por séculos. Às vezes aquilo dura um segundo. Passando por aquela rua noutro dia, percebi que nada mais significava em minha alma. Em meu coração. Por quê? Ou será que apenas significava diferentemente? Continuo sem saber. E continuo gastando alguns minutos preciosos me interrogando. Por quê?
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POR EM
12:45 AM
Express Yourself:
Sexta-feira, Janeiro 11, 2008
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Eu queria é poder trocar a casca, desprender, soltar, mudar de alma, me sumir. Eu queria é conseguir sair cantando, pular o muro, achar o atalho, soltar a respiração. Queria dormir por 300 horas seguidas e ter todos os sonhos e pesadelos possíveis, e depois acordar com a sensação de que o sono não foi perda de tempo. Queria sair de uma vez da bifurcação e escolher logo o caminho, mesmo sem saber da chegada, mesmo que esteja tão difícil trocar a casca, me desprender, me soltar, mudar minha alma, velha alma.
Acumular neuroses.
Como não acumular neuroses?
Cada vez estou mais convencido de que somos 90% pensamento e 10% corpo. Não, corrijo: 90% pensamento, 1% corpo e 9% uma outra coisa que eu ainda não sei o que é. São muitos pensamentos ao mesmo tempo, atropelando-se contantemente, embolando-se, juntos ao pensamento de que eu devo permanecer bem. Mesmo que por dentro esteja gritando, gritando por essas coisinhas que estão fora do lugar, você sabe.
Mas existem também as neuroses... Ah,,, as neuroses, aquelas idéias que não te deixam dar o próximo passo, que travam o seu pensamento, que grudam, que perseguem, que tiram a razão. Admiro os que têm autocontrole. Já conheci uns tipos assim. Mas no final das contas, acho que o fundamental, o segredo para uma existência verdadeira, não é ter autocontrole. Mas sim saber pôr as coisas no lugar certo. Seja lá o que isso signifique.
Hoje foi um dia bom.
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POR EM
4:27 PM
Express Yourself:
Domingo, Janeiro 06, 2008
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Vermelho em 4 tempos – pintado em 2007
Hoje choveu, teve queda de energia. Um típico verão. Amanhã, quem sabe?, fará aquele calor diabólico novamente.
Amanhã, quem sabe?, responderei aos e-mails dos amigos quando estiver sem fazer nada no trabalho. Minha caixa de entrada não será mais aquele amontoado de mensagens a esperar. Amanhã. Quem sabe?
Daqui a pouco será amanhã e quem sabe como acordarei? Tenho o costume de acordar mal-humorado – a não ser que tenha dormido em muito boa companhia. Mas isso saberei só ao acordar. Quem sabe? Por hora, só sei como dormirei.
Por hora, quero curtir o vazio das horas. Sempre as horas, Mrs. Dalloway, tão cheia de pensamentos para um dia só. Coitada. Quem sabe amanhã ela também não acorde melhor?
Meu amigo
Renan Ji sempre diz que a ignorância é um bálsamo. Eu já acredito que com verdade é a única maneira de sermos felizes. Viver dentro da verdade. Mas isso também por hora. Quem sabe?
Fui assistir a
“O amor nos tempos do cólera” nessa quinta-feira. Bom filme, ótimas cores. Obviamente, muito do livro se perdeu.
Eu me lembro de que quando li fiquei sufocado com as dezenas (ou centenas?) de páginas que relatavam as correspondências entre o Florentino Ariza e a Fermina Daza. No filme tudo passou tão rapidamente. Não deu tempo de sentir direito o teor da paixão entre os dois.
Não tiveram flores nem borboletas secas dentro de cartas trancadas em baús, não teve Florentino sentado no banco da praça de madrugada olhando fixamente para a janela de Fermina, não teve muito destaque para a louca Trânsito Ariza, mãe de Florentino. Aliás, muitos irão criticar o inglês da Fernanda Montenegro (Sim! Ela fez Trânsito Ariza no filme!). Eu acho isso o menos importante. No meio daquela zona total de sotaques, o inglês dela era o menos importante...
Mas mesmo assim bom filme. E isso sem falar da trilha sonora: todas as músicas são da Shakira. Não!! Calma!! Você não vai ouvir “estoy aquí” enquanto assiste à película! São musiquinhas românticas, bonitinhas... Tem uma que é assim:
cada dia pienso en ti
pienso un poco mas en ti
despedazo mi corazón
se destruye algo de mi
cada dia pienso en ti
pienso un poco mas en ti
cada vez que sale el sol
busco un algo de valor
para continuar asi
y te veo asi no te toque
rezo por ti cada noche
amanece y pienso en ti
y retumba en mis oidos
el tic-tac de los relojes
y sigo pensando en ti
y sigo pensando...
Só espero que se um dia resolverem filmar
“Cem anos de solidão” não cometam o mesmo crime de cortar tantas coisas. Eu espero pelo menos uma trilogia!!!
Ontem
Com os braços estendidos ao longo do corpo, Frida imagina como seria estar do outro lado. De pé, olhos fixos no horizonte, alheia a todos os que correm em direção ao cais, mira o barco se aproximando. Um esgar sobre os lábios deixa entrever o que poderia muito bem ser um sorriso, como se presenciasse uma alegria.
Frida, com algum esforço, molda uma imagem após outra. Imagina-se não mais com os pés na areia, não mais as pálpebras se abrindo e se fechando, apertando-se contra a luminosidade excessiva que aquela imensidão de água traz até sua retina todos os dias, a todo o momento. Pensa em si partindo da ilha. Uma lembrança de algo que não viveu. Uma lembrança de algo que não viveria.
Sair da ilha é coisa de loucos! – lembrava seu pai dizer.
A ilha se distanciando. Seu corpo acompanhando o movimento do barco, subindo e descendo, subindo e descendo, as ondas. O vento ensurdecendo sua alma. Envolta em uma luz de pessoa desamparada, esforça-se para reter as imagens, aquele pedaço de terra diminuindo e sumindo, sem poder jamais desaparecer por completo. Sua vida desde sempre. Sua imaginação não dera mais uma vez o passo seguinte. O sentimento de começo e fim, a mistura de emoção e expectativa à certeza de que depois daquilo nada mais haveria para ela.
Existe um lugar chamado Retorno.
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POR EM
10:50 PM
Express Yourself:
Terça-feira, Janeiro 01, 2008
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Eu podia jurar que dessa vez o mundo acabaria. Mas não acabou. Novamente. Ontem foi segunda-feira. Hoje é segunda-feira novamente. Amanhã será o mesmo, por que não nos damos conta disso definitivamente, Melquíades?
All my life is changing everyday, in every possible way,,,
Eu podia jurar que o mundo ia acabar na virada do ano. Esperei que ele acabasse de 99 para 2000 e espero até hoje, imaginando que os profetas tenham errado as contas. Mas não. Nada aconteceu. Apesar disso, enfrentamos o apocalipse todos os dias. Tudo acaba todos os dias na verdade. E todo dia é o dia da volta de Cristo.
Não era para ser prosa nem poesia.
Não era para eu andar pela linha do trem esperando que encontrasse seu final.
Continuarei atravessando a rua sem olhar para os lados.
Hello, stranger.
Acredito que chegarei ao fim da vida como um cotoco de gente, de tanto me ralar e me quebrar e de perder partes por aí.
Mas acredito também que essa é a única maneira de ser feliz.
O que a gente leva dessa vida afinal?
Não acreditei ainda que 2007 tenha acabado. Não acreditei porque parece que foi ontem que comemorei a virada de 2006. Festa em Copa, Bárbara e eu em um bar na Farme, depois de todos irem embora, já de manhã, bebendo e conversando sobre mil banalidades. Parece que foi ontem! E de ontem para hoje já aconteceram tantas coisas importantes. Coisas miúdas e coisas grandes. Coisas preciosas e outras nem tanto. E eu ainda sou capaz de enumerar os cinco dias mais felizes da minha vida na semana passada! Eu sou assim, fútil e atento. Capaz de gestos nobres e vis. Guardo tudo dentro de mim para sempre. Datas, gestos faciais, melodias, apertos de mãos e abraços, pores-do-sol, e às vezes quase enlouqueço ao perceber que tudo existe, essas coisas todas. E não me canso de perguntar por quê.
Para ser humano é preciso ter coragem.
Onde você guarda sua humanidade?
O primeiro dia do ano cai numa terça. É o dia da chegada do navio a Retorno. O último dia do ano foi numa segunda. Que contradição! 2008 é 2+0+0+8 = 10 = 1. Um significa começo. Quem será que inventou o número um? Será que para tudo existe um começo? Qual seria o número do recomeço?
Eu espero sempre ter braços e mãos e olhos, para ver e para agarrar com força os meus pensamentos, o que eu acredito. É preciso que se veja a beleza de certas coisas tristes. É preciso que se saiba que ser feliz é o que importa, o resto é bobagem!
Feliz ano-novo a todos!
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POR EM
3:38 PM
Express Yourself:
Sexta-feira, Dezembro 14, 2007
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Dias de chuva no Rio de Janeiro
A previsão do tempo confirma: possibilidade de 60% de chuva até terça-feira.
Como assim?? Estou de férias!!!! Quero praia, quero sol, quero tudo!!!
Eu quero é jamais perder essa capacidade de enxergar o mundo a cores. De enxergar as cores do mundo. E quero mais é que chova mesmo. Quero gotas de água dentro de tudo!
Andei pensando muito nisso...
O mundo dá uma volta completa por dia.
Trinta voltas por mês, mais de trezentas por ano.
Sei que os continentes se movem, que tem o vento, o movimento das águas.
E não consigo não imaginar que isso não influencie a vida das pessoas. Melhor: não consigo não pensar que isso tudo não influencie o trânsito das pessoas pelo mundo. Acho que todos acabamos deslizando pelo mundo, mudando nossos rumos, por causa do vento, por causa da chuva. Iríamos à praia, mas preferimos ir a um bar e lá acabamos encontrando uma pessoa especial, tendo contato com outro ambiente carregado de uma energia diferente. Iríamos a uma festa, mas um dilúvio nos fez ficar em casa e fez também uma outra pessoa ficar em casa e ligar o msn e esbarrar conosco.
É ótimo pensar nisso. Saber que não somos donos de nossos passos completamente. É reconfortante, tira de nossas costas o peso de estar atento a onde vamos. E, pensando grande, enxergar o todo como uma confusão de pessoas deslizando é maravilhoso.
Um brinde ao trânsito caótico e inconsciente!
É engraçado como dias de chuva abrem para nós outras possibilidades de enxergar o dia-a-dia. Lembro-me de quando era pequeno. Costumava brincar na rua boa parte do dia: bicicleta, patins, esconde-esconde, brincar com a terra, entre outras tantas alegrias que depois de uma certa idade temos de dispensar. E eu sempre recordo a sensação que tinha em dias de chuva na infância. Era ruim ter de ficar em casa, ruim demais não poder liberar tanta energia. Mas isso logo passava. E era tão mais fácil inventar coisas! Cabanas com lençóis, que se transformavam em castelos espaçosos; a sala poderia ser um cenário rochoso onde uma guerra de bonecos de plástico acontecia; a banheira virava mar, barcos e mais barcos a navegar, navios piratas. Lembram-se? Pois é, era bem mais fácil se distrair quando tínhamos de ficar dentro de casa em dias de chuva na infância.
Apesar disso, dessa facilidade que ficou perdida por aí, nesse dia de chuva parece que também há em mim uma tendência a continuar enxergando coisas boas para fazer em casa em dias de chuva. Jogar videogame (sim, videogame!!!), escrever, ler, ver filme, bater papo no telefone, especialmente com aquela pessoa... E, caso o tédio bata, é sair ao quintal e tomar banho de chuva!
Tomé resolvera tomar o caminho mais longo dessa vez. Não adiantaria fugir, virar as costas, tomar um atalho. Não dessa vez. Não adiantaria comer as unhas. A chuva já caía, torrencial. Já caía há tantos dias. Tente apanhar o dilúvio com um copo de papel, my dear.
Mas ele sabia que a chuva vinha diferente para cada um. E sabia também que ela chegava em diferentes momentos. A do outro seria num dia de sol, de intenso calor, depois de toda a turbulência passada. E a existência de Tomé já teria sido lavada pela enchente. Seus pertences já teriam sido engolidos pelos bueiros da cidade, já estariam longe, galerias de esgoto adentro, até o mar. E ele estaria de bolsos e mãos vazias. De corpo nu. De alma nua. De coração vazio.
E ele resolvera tomar o caminho mais longo dessa vez porque cultivara desde sempre essa estranha mania de viver dentro da verdade. Sabia que um atalho, uma válvula de espape qualquer ou uma despedida falsa o faria retornar. E isso não poderia ser jamais. As coisas se vão, quer queiramos ou não.
A chuva cai, independentemente de termos esquecido nossas capas de chuva.
ps: escrevi sobre esses dias de chuva na quarta-feira! Hoje, sábado, quando resolvi postar definitivamente, abriu um sol óoootimo!!!! Mas acho que vale. Por isso postei.
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POR EM
4:06 PM
Express Yourself:
Sexta-feira, Dezembro 07, 2007
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Vão-se os anéis, ficam os dedos
Ele não havia entendido jamais o significado desse provérbio até hoje. Vão-se os anéis, ficam os dedos. Bem,,, até hoje.
Enquanto trabalhava, não saberia dizer como, perdeu o anel que carregava há pelo menos dois anos. Um presente que tinha dado a si mesmo. Procurou, procurou e nada. Mas,,, o engraçado foi a sensação de que estaria melhor sem ele. O anel. Não sabia porquê, mas ultimamente, e isso devido também aos acontecimentos de sua vida, olhava para o anel, que estava ali por estar, e sentia que deveria se desfazer dele. Era sempre assim, como uma espécie de rito de passagem. Quando terminava romances, namoros, ou finalizava alguma nova etapa em sua vida sentimental, sempre jogava fora alguma coisa que possuía. Fora traído e jogara o cordão pela janela do ônibus. Não fora correspondido e jogara um anel na lixeira da rodoviária. Desiludiu-se e quebrara um brinco. Fora sempre assim. Desde tempos imemoriais. Era um segredo que guardava para si, esse rito.
Hoje, quando perdera o anel, ficou tentando achá-lo, mas alguma coisa em sua cabeça dizia que não deveria se preocupar, que deveria aceitar o fato de tê-lo perdido. E estava tão perdido já há tantos dias,,, os acontecimentos cotidianos. Aquele sentimento de que o outro que ele conhecia desaparecera em um segundo. Sabe? Quando conhecemos alguém e essa pessoa, do nada, acorda diferente? O sorriso diferente, as palavras diferentes, o calor do corpo,,, sabe? O que fazer para não ficar chateado? Dar tempo ao tempo? Ahn,,, não. O tempo é sempre a melhor e a pior coisa nessas situações. Existem os flashbacks que não deixam você esquecer. Deixar o amor no pause? Mas era amor mesmo? E quem apertaria o pause? E o play? Fazer o estilo "livin' la vida loca"? No way,,, sua decisão fora fazer o que sempre fizera: cuidar de si, plantar seu próprio jardim sem esperar que alguém lhe trouxesse flores. Porque no final das contas é assim. Acredite. Vão-se os anéis, ficam os dedos. E aí chegou pela porta da frente o entendimento absoluto de tudo.
Cerca de uma hora depois, porém, acharam o anel. E agora ele teria de agradecer à pessoa. Mas sua vontade era a de não querer mais aquele acessório. Por que você achou esse anel? Quem pediu que procurasse? Seria injusto, O.K. Seria neurótico demais. Vão-se os anéis, ficam os dedos. Mas e agora que acharam o anel? Como ficam os dedos? Já se acostumaram sem o anel, já estavam livres de tudo. Foram minutos de liberdade,,, E agora acharam o maldito anel. Aceitou o anel, guardou para jogá-lo fora depois. Era a sua decisão. Porque algumas coisas precisam ser jogadas no lixo, para sempre. Esquecidas.
E era quase impossível chegar à uma conclusão sobre aquilo tudo. Um anel perdido, um anel encontrado por um desconhecido. Thanks, stranger. Um anel guardado e brevemente desaparecido de novo. Desaparecido por minhas próprias mãos. Jogado no lixo, num rio, no mar, nos trilhos do metrô. Que fossse! Não usaria mais aquele anel. Trazia má sorte. Tinha certeza disso.
E tudo poderia ser apenas superstição. Mas poderia também ter sido um belo conto de fadas, com começo, meio e happy end. Poderia ser qualquer coisa, se ele não tivesse convicção de que o anel lhe trazia má sorte. Era verdade, apesar de não ter como provar. Disso tudo, a lição de que vão-se os anéis, mas os dedos ficam, passíveis de novas sensações, possíveis de novos contatos. Os dedos que continuarão percorrendo o mundo, tateando no escuro, envolvendo-se em água, arragando coisas com força e soltando-as depois de cinco minutos, simplesmente porque não são mais interessantes. Enxergar a vida agora sem aquele anel já era diferente. Eram cores mais fortes, apesar do dia escuro de chuva. Eram sons, eram sinais. Um novo tempo. Virar a página. Jogar o anel fora. Simbolicamente, era uma guinada. E ele continuaria guardando seu segredo, sua magia de perder as coisas por aí. Sua maneira de ser perder para se achar. E não seria o fim do mundo, seria apenas perceber.
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POR EM
4:01 PM
Express Yourself:
Domingo, Dezembro 02, 2007
Oh, Mrs Dalloway,,, always giving parties to cover the silence,,,
Era para ser um simples caso a três. Era para ser leve, rápido e indolor. Mas eu já sabia que dessa vez sentiria quando acordasse de madrugada. Não era para eu me sentir sozinho dessa vez. Mas quer mesmo saber? Que se danem os outros. No final das contas, as coisas são assim mesmo. Eu e os dois, sentados cada um à beira da cama, separados por muitos anos-luz, por muitas emoções, por fios invisíveis que se emaranharam e formaram paredes já muito espessas, instransponíveis. Cada um na solidão do espaço que coube a si. Mudos, distantes.
O problema é que sempre se leva as palavras muito a sério. O que se lê e o que se diz não necessariamente correspondem à realidade. Nem sempre, leia bem, antes que sua cabecinha oca possa ter idéias mirabolantes. Não leia esse primeiro parágrafo ao pé da letra. E se não for capaz de entender tudo metaforicamente, não me pergunte. Viva a dúvida. É para ser uma coisa meio "O Apanhador no campo de Centeio" mesmo. Nunca leu? Então leia. Quem sabe você não sai por aí atirando em todo mundo também?
A cada minuto que passa, o tic tac do relógio faz pesados círculos no ar. E eu posso vê-los, sentado aqui na minha cama. A cada minuto que passa, algo cresce dentro de mim. Ervas que vão brotando e fazendo barulho, folhas nascendo, flores, frutos, raízes gordas, tudo muito suculento e cheirando a novo. Só tomamos susto uma única vez. Só nos desilidimos uma única vez. Só ficamos felizes uma única vez e é por um período muito curto. Quantos anos me faltam afinal? Será que me faltam anos ou minutos? Vou enlouquecer se não descobrir a resposta logo. Tic tac, tic tac... E daqui a pouco caio durinho no chão, sem ar. Ou explodo em muitos tons de cores, como naquele filme - lembra-se? Não, não se lembra, não é mesmo? O que fazer?...
Eu poderia enumerar as coisas que me deixaram felizes, as coisas que me deixaram tristes, mas - quer saber? - prefiro naufragar no mar do esquecimento, da ignorância. Conservar em mim qualquer coisa que valha. Porque eu já aprendi a viver. Já aprendi tudo sobre a vida. E sabe por que eu posso ter a ousadia de dizer isso assim, na cara de vocês dois? Porque eu aprendo a aprender a cada dia. E assim a vida me oferece muito pouco risco. Eu escapo da boca do leão, eu pulo do precipício e escolho sobreviver. As metáforas que construo, só minhas, são só minhas, formam novas ligações entre meus neurônios a todo o momento. Vou da neurose à mais absurda paz interior em centésimos de segundo. E se você, ou melhor, vocês dois ainda não entenderam, boa-noite!
Na verdade, às vezes é tudo muito doloroso. Às vezes eu penso que aquele parafuso que caiu da sua cabeça, que ficou perdido, foi a causa da minha desilusão mais recente. Mas e se não caiu parafuso algum? E se era para ser assim mesmo? Boa-noite para mim então. E boa sorte também! Afinal, preciso de dias como esses...
No mais, as coisas vão continuar como estão. Só eu enxergando certas coisas. Dobrando os lençóis depois de vocês irem, trancando as portas, cerrando janelas... E pode acontecer de eu pegar no sono e nunca mais acordar. E de nunca mais um de vocês me achar. E seria minha vez de dizer: é a vida... mas eu já estarei dormindo há séculos, sonhando outras vidas minhas, dreaming my dreams, that's all, honey. Espero que consiga cuidar de você, sinceramente. O que fizemos foi bom, mas foi, seria, não será, nos perdemos... Nada paralisa por causa de um momento de felicidade. Não é engraçado?: O tempo não pára nunca! Eu fico absurdado com isso!
Ao mesmo tempo, algumas coisas simplesmente acontecem. Vêm na minha direção sem que peça por isso. E é impossível não prestar atenção aos sinais do tempo, aos sinais que as horas, segundo a segundo, gota a gota, mandam para mim. Sempre as horas. Ontem, ouvindo uma música, a seguinte frase tantas vezes já ouvida caiu sobre mim como um piano: "de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho." Quando mais jovens, carregamos dentro de nós todos os sonhos do mundo, acreditamos, mas não temos coragem nem habilidade suficientes para lutar. Mais velhos, já temos habilidade e coragem de sobra, estamos calejados, mas os sonhos partiram em barcos tristes dos portos de nossa alma. E às vezes conseguimos sentir o momento exato, aquela fisgada de nervo, quando damos um passo à frente e deixamos de acreditar em uma coisa. Esse trecho fala disso. De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa, alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho, para trás, irremediável. E percebemos que crescemos mais um pouco naquele instante. É uma espécie de teoria de vida que todos conhecemos muito bem. Mas que não deveríamos seguir.
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POR EM
7:18 PM
Express Yourself:
Segunda-feira, Novembro 19, 2007
Vamos tentar algo diferente dessa vez,,,
Vamos tentar algo mais BLOG dessa vez,,, Falar de coisas banais,,,
O feriadão está sendo ótimo! Não imaginava que poderia ser tão bom devido aos últimos acontecimentos. E aí penso nessa palavra: acontecimento. E sempre me lembro de Cem Anos de Solidão: como seria possível agüentar o peso de tanta coisa acontecida? Pois é. No fim das contas sempre dá pra segurar e ir em frente. Não há outra maneira afinal, só temos acesso ao futuro, jamais ao passado, que fica lá atrás, minutos atrás, milênios atrás.
Algumas coisas acontecem e parece que nada nem ninguém poderá nos tirar de determinado estado emocional, seja ele bom ou ruim. Mas alguma coisa sempre acontece. Alguém sempre acaba aparecendo pra te alegrar, pra te fazer rir. E esse é o jogo da vida. Ganha quem acumula mais experiência, mais autonomia, quem consegue ver além de certas coisas, certas palavras. E quem consegue ter mais de si em si mesmo. Isso é fundamental.
Por esses dias, além da minha incapacidade de ficar parado, pude prestar atenção em muitas coisas à minha volta: letras de músicas, gestos de desconhecidos, palavras de amigos, filmes... E foi bom. Estar de olhos abertos, de peito aberto sempre.
Não há como esconder minha decepção com o estado em que as coisas se encontram por esse mundo. É muita gente incapaz de enxergar. Mas o que eu posso fazer? Nada. Talvez ser rei em terra de cego fosse uma boa. Mas estou cansado demais pra carregar uma coroa na cabeça. Eu quero é vagar livremente. Quero mais de um milhão de pôres-do-sol, risadas sinceras, momentos bons e ruins, dias de chuva e de sol.
Ainda bem que existem pessoas, mesmo que estejam a mil anos-luz de onde estou, que conseguem enxergar também. Espero eu corrigir essa cegueira que me ataca de vez em quando; conseguir não me sentir afetado pelo desânimo geral. Esse não pode ser eu...
Enfim: mas as coisas estão boas, indo em direção ao ótimo. Pensar em coisas doloridas de vez em quando nos faz bem. Prestar atenção em certas belezas, em certas coisas horríveis.
Ah! Lembrei: por esses dias estava eu lendo meu blog, passando pelos arquivos, e pude reviver muitos momentos. Nossa, quanta coisa já aconteceuuuu!!!! E é muito bom saber que acho ser dono de todas as minhas reações e ter reações tão diferentes a cada hora. Quando era para morrer, enganei a morte. Quando era para viver, explodi e desapareci. Talvez já tenha morrido também. Será? Será que já morri alguma vez e renasci outro? Essas milhares de coisas que nos constroem são perigosas, e é perigoso pensar na influência que cada passo, que cada sorriso, cada aperto de mão, cada ato sexual têm em nossas vidas.
Enfim,,, No momento, estou ouvindo Sade. Tão bom isso,,, Arrumei meus cds hoje e descobri que fazia muito tempo que não ouvia tanta música boa, que fez parte de tantos momentos meus. Encontrei um cd em especial. Era pra ser dolorido pensar na ocasião em que ganhei esse cd: "the best of us". Mas não. Até sorri quando vi o cd perdido na estante e lembrei daquela montanha-russa,,, E vai ser assim dessa vez também.
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POR EM
12:11 AM
Express Yourself:
Quarta-feira, Novembro 14, 2007
Era como se o costume de andar pelas ruas à tarde, sentido o calor que
se desprendia das paredes, alterasse profundamente seu estado de
espírito. Seria fácil mais uma vez. Era como se o hábito de sentir-se
tomada pelo pânico, que fosse, e encostar-se à parede, a casa às escuras, e respirar
com dificuldade e ficar ali, as costas na parede, e nada enxergar e
desejar o esquecimento, era como se esse costume fosse um dos mais
agradáveis. Por que não se deixar tomar pelo terror? Por que não ser
assim?, pensou consigo. E foi.
Às vezes sentava no chão e narrava para si mesma longas histórias de sua
própria vida, sobre aquilo tudo, e era sempre tão lúcida e cruel que
podia quase sentir um arrepio, uma sensação de êxtase, mais do que um
orgasmo, um osso quebrando. As histórias nunca terminavam e nunca
começavam, pelo simples fato de já estar louca. E também porque as
histórias nunca terminam e nunca começam. O calor que saía das paredes
no fim da tarde, a sensação de que o mundo bem poderia ser uma
fotografia em tons avermelhados, de que ela poderia gritar e gritar e ser
presa e torturada em porões, de que serpentes a encontrariam e
envolveriam seu corpo num abraço sufocante... Mas: sufocada já estava
desde sempre e não conseguiria ser de outra forma. Ninguém conseguiria.
A sensação de que poderia ser feliz e cotidiana. Mas esse era o caminho
mais estúpido que poderia seguir. Ser feliz e cotidiana seria a
desistência, a bandeira branca da rendição. E ela ainda tinha longos
anos pela frente, para enlouquecer à vontade. Não diria jamais a alguém
que era uma sufocada de nascença. Não compreenderiam. Todos são
sufocados desde o primeiro ar que respiram, mas não se dão conta disso,
não conseguem que as outras tantas coisas que julgam mais importantes
desapareçam. Evitam os acontecimentos, as mudanças de tempo.
Era tão simples ser louca. Tão gostoso perceber as nuances de cada gesto
facial dos outros, seus tons, suas risadas. E se permitir devanear com
essas pequenas coisas, não prestar atenção a nem uma palavra dita
sequer. E tirar suas próprias conclusões. "Eu quero, quero, quero, é
claro que sim! Iluminar o escuro com meu bustiê carmim. Mesmo quando
choro e adivinho que é esse meu fim."
Altas horas da noite. E por que a noite? Por que aquela escuridão toda
se fazia sempre a causa de seus pensamentos mais pavorosos e mais
libertadores? E as horas passavam, e o desejo era o de não dormir por
séculos, mas acabava cedendo ao sono diariamente, ao sonho, aos
pesadelos dos quais não se lembrava. E era curioso não se lembrar dos
pesadelos, mas se lembrar de toda a realidade e de todas as coisas
acontecidas. Ah, o peso de tanta coisa acontecida... Como seria quando
tivesse duzentos anos? Curvaria seu corpo a tanto peso? Jogaria tudo ao
chão, como um saco de pedras?
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POR EM
12:34 AM
Express Yourself:
Segunda-feira, Novembro 05, 2007
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Dentro da nossa alma é música
Ele caminhava: ninguém morre de amor, era certeza. À beira do precipício, um salto. 300 milhões de saltos já. E a vontade (absurda, diabolicamente boa) de pular de novo. Um relâmpago, e dos céus partículas de água formaram um arco-íris. Devia ser um sinal. Devia ser Deus. Devia ser uma lástima, mas não o era. E só não o era porque havia verdadeiramente pulado.
Viver dentro da verdade. Viver dentro da sua verdade.
Era o que bastava, apesar de não bastar mais em si. Seria real aquilo? Seu sentimento havia tomado conta de todo o mundo? Não sabia, mas sentia que poderia sentir de novo, infinitamente mais forte. Até seu coração parar ou explodir, como uma bomba-relógio que trabalhara com exatidão até o segundo final. Explosão! E ele ainda estava lá. E estaria para sempre. E ele ainda saltaria mais e mais vezes dos precipícios, abismos sem fim... Quedas que não quebravam nem um osso sequer. Uma delícia.
Do outro lado, aqueles que não saltariam jamais. Aqueles que veriam o precipício e pensariam: é muito melhor a segurança desta vida macabéa, que seja... E continuariam a olhar tristemente para as cortinas fechadas, sem luz do sol, sem felicidade. Mas estes estariam sempre do outro lado. Talvez não entendessem aquilo nunca em vida. Um nada! Como poderiam realmente sobreviver ao tempo? E renascer diariamente?
(Certa vez, na porta do labirinto, o suor se fez abundante, as lágrimas teimaram em cair. Não resistiu a elas, deixou que o medo matratasse seu corpo. Entrou. E lá morava o monstro que rastejava, saindo do pântano, babando de fome - era o monstro que todos queriam ver. O mundo fazendo fila para olhar nos olhos do monstro, pelo menos uma vez na vida. Ele, um rapaz bem-parecido, furou a fila várias vezes e olhou nos olhos do monstro por muito tempo, em tantas ocasiões, antes que o monstro o devorasse e o transformasse em outro. Um velho conhecido, o monstro. Já havia sido devorado tantas vezes... Era para ser uma lástima. Mas não o era. Era bom, era divino. Um luxo ao qual poucos se dão. Ao redor do labirinto, mais e mais pessoas vagavam, a temer entrar na fila, a fugir para longe, desesperadas. Do alto do monte, outros olhavam para aquilo desejando permanecer à distância. Sem conhecer o monstro. Mas sempre haveria o desejo, mesmo que seus pés jamais se mexessem.)
Então, depois de muito e muito tempo (um dia? 23 anos?), ele teve uma visão. Happy end. Os créditos subiam na tela e muitos nomes lá não apareciam. Nada mais natural...
That's the way it is. Eu sei aonde está indo. Quando me pergunta uma simples questão, posso não saber o que dizer. Você vai achar seu caminho. Mas não desista, você pode vencer. Quando se quer muito, não há saída fácil. Quando estiver pronto, e seu coração cair na dúvida, não desista, Ele chega para quem acredita. Sempre será assim. Não tenho o poder de tirar as vendas dos seus olhos. Apenas posso sussurrar em seu ouvido coisas doces e sinceras e desejar do fundo do peito que acredite em mim. Que acredite quando digo que estou bem, e que preciso que os raios de sol continuem saindo de você, como antes. Energia. Calor. Etc.
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POR EM
4:33 PM
Express Yourself:
Sábado, Outubro 27, 2007
Renan Ji em Buenos Aires. Qué hacer de mi vida?!
A foto acima foi tirada uma semana antes de ele viajar... Um cafezinho, coisa ótima!
Tanta coisa acontece em alguns dias, nem dá pra contar! Um turbilhão! Corazones huracanados! E vamos em frente!!
Bem, a notícia boa é que meu psiquiatra de plantão (sim, eu preciso de um às vezes, como hoje) estará de volta na segunda!!
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POR EM
11:09 PM
Express Yourself:
Quarta-feira, Outubro 24, 2007
Debruço-me à beira de mim: abismo.
Debruço meus olhos da janela sob a chuva já tão incômoda. Dias e dias.
Tudo molhado já.
(Por que mesmo eu disse que era dentro de mim que estava chovendo?
Quem foi que me permitiu fazer essa associação estúpida? Metáforas acabam com a paz...)
Lá fora chove. Só chove, e chega. Lá fora. Aqui dentro as coisas já
brotam diferentes. Muitas cores, secas.
Será que é por isso meu instinto de jogar fora todas as coisas velhas?
Será que é por isso a sensação de não conseguir respirar até que tudo
esteja no seu devido lugar, ou na falta de ordem costumeira minha?
Não sei, admito, estou louco talvez. Nasci assim, que vou fazer?
I'm surrendering.
Minhas vísceras precisam estar expostas, minhas costas, meus pés, eterno
movimento de me perder e me achar. Não consigo outro movimento.
Abrir-se é doloroso. Como trocar a casca. Fechar-se é doloroso. É trocar
a casca dentro do labirinto, sem saber por onde seguir.
De olhos vendados ou abertos? Não faz a menor diferença. Saberia onde
está você a quilômetros de distância. Pelo cheiro ou pela presença. Essa
ausência, como tirá-la daqui? Como se faz para arrancar uma ausência de
dentro?
Isso tudo poderia parecer triste demais, como esse dia de chuva. Mas há
dias de chuva e dias de sol, aprendi isso há tantos
anos... E é preciso saber gozar de cada hora, de cada momento. É preciso
pular dos precipícios, gargalhar alto e dar abraços mais fraternais do
que amorosos. É preciso isso e muito mais. Por que não criaram um manual?
Há muitos séculos, na Idade Média, uma donzela chamada Marie d'Avignon
sumiu sem deixar vestígios, e sua vida é lenda hoje nas ruas de pedras
ainda impossivelmente medievais. Dizem que ficou louca de amor. Que
abandonou tudo e todos e seguiu solitária até uma casinha de pedra no
alto de um monte, vestido rasgado pelo caminho, pele suada e suja, depois, rugas.
Lá morreu anos mais tarde, não solitária como muitos
pensam, mas acompanhada de seu sentimento.
Num lapso (vejam bem, um lapso) de regresso infantil e amoroso quis
pertencer ao Sentimento novamente. Águas que passam debaixo da ponte, um
marulho, ondas e ondas, as praias do cotidiano. O que basta em mim é
muito mais.
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POR EM
11:03 PM
Express Yourself:
Segunda-feira, Outubro 22, 2007
O que fazer agora que já conhece meu orgasmo? Agora que já ouviu meu despertar, meu anoitecer, o que fazer? Abra seus olhos, abra seus olhos, as cortinas descem e lá estou eu, estava lá antes de os séculos virarem, antes de as eras se sobreporem a outras. Antes de os sábios preverem que o mundo acabaria no próximo segundo. Abra os olhos, trespasse toda essa realidade já tão gasta, tão aterrorizante. A de hoje e de sempre, lembra-se de quando...?
Não posso fazê-lo por você. Continuo a pintar castelos com incontáveis torres, castelos sem fim, nas paredes aqui de casa. Meus bolsos estão cheios de giz. É pra traçar o futuro no asfalto, pra que a estrada não deixe de se-fazer nunca. Hoje é segunda, amanhã será segunda novamente. Tudo é igual desde sempre, não nos damos conta disso. A única coisa que muda e não damos por isso é o sentimento, o de todos os homens já velhos de pensar e de saber de tudo. Esse velho sentimento, sabe qual. Homens já velhos ainda na flor da idade. Essa lástima. Esse estigma. Essa falta de precipícios para se jogar.
E queria o máximo, e queira tudo. E não se contente com as flores crescendo em canteiros, arranque-as, que a vida encarcerada não é vida e é melhor a morte, uma outra vida que poderá vir. Que poderá ser. Que poderá ser depois? Uma outra vida, um outro despertar, novos amanheceres e ocasos, linhas do horizonte tão cheias de cores, quero tocar tudo isso, quero tocar todos os outros como forma de ter mais humanidade; como forma de não caber mais aqui dentro. E no fim, ser fim, simples e cotidiano, leve e amoroso.
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POR EM
12:38 AM
Express Yourself:
Quarta-feira, Outubro 17, 2007
NEO-SUICIDE
... Porque dessa maneira não existiria mais. Alívio instantâneo. Uma fresta de luz. Era como se ele de repente conseguisse vislumbrar a saída que procurava há tanto. Simples até certo ponto, fácil até certo ponto, bastaria apertar um botão, o gatilho que dispararia seu fim. O cessar daquela existência sem propósitos, o estar ali, daquilo tudo que já era peso e superposição de momentos, instantes sem memória, cheiro de mofo. Inter-relações vagas e silenciosas como uma neurose que se alastrava impiedosamente há alguns anos. Um milhão de horas.
Uma brisa com cheiro de novo. Tudo já era nada, significando-se nada, ainda. A despeito das mudanças diárias. E ele optara enfim pela libertação. Era a possibilidade mais feliz e óbvia, sem sombras. Óbvio desde sempre. Como não pensei nisso antes? Como? Sentado há exatamente uma hora à frente do computador, babando de tédio... Perderia tudo: principalmente aquilo que mais o atormentava desde nem mesmo saberia precisar.
Revisou então, com precisão nuclear, seu plano. Era tempo. Sentado ali mesmo, sem ninguém ver, tentaria não pensar em nada e apertaria o disparador da morte. A sua. Prenderia a respiração apenas para tornar o instante pouco mais solene. Um instante. Absurdo. Um instante e tudo desceria pelo ralo do que ele não conhecia, do que ninguém poderia conhecer jamais conectado à vida real, essa, a nossa de todos os dias. Prenderia a respiração porque não conseguiria excluir sua existência sem antes acrescentar uma pitada de drama.
Não escreveria cartas, e-mails, bilhetes, não avisaria a ninguém. Seria rápido e indolor. Caminhara e a beira do precipício finalmente estava à sua frente. Eu quero fazer isso, eu preciso. E a gota de suor que descia da têmpora ao pescoço.
Não restava muito tempo nem muito mais a fazer. Sentia, com as mãos trêmulas, que as forças poderiam acabar se ele não o fizesse logo. Será com as luzes apagadas mesmo, não consigo me levantar. Seus dedos já tocavam o detonador. Adrenalina vazando pela imaginação. E uma sensação de libertação possível contagiante, diabolicamente boa. Em breve, em breve. Não posso pensar em ninguém, não posso. Será que vou vê-los de novo?
E então, prendendo a respiração como ensaiara e de olhos fechados (não poderia ver seu próprio fim), apertou
delete e excluiu seu perfil do orkut.
CONTEXTO: renan Ji e eu, bêbados em um bar, pensando sobre essas coisas y otras más, escrevendo.
POR EM
10:40 PM
Express Yourself:
Quinta-feira, Outubro 04, 2007
Virou comédia!!!! Ainda sobre a UERJ.....
Ontem, fui ao "protesto" e ao Conselho de manhã na UERJ.
Número de pessoas de preto em frente à UERJ: no máximo 15.
Entrada: os seguranças dificultavam a entrada dos alunos. Eu quase não pude entrar e ainda fui segurado pelo braço por um deles e tive de ouvir perguntas como: você acha que está indo para onde? Quem é você? Faz o que na UERJ? Absurdo!!! A minha vontade era responder: querido, eu sei que você está tentando organizar as coisas e que deve ser estressante estar aqui desde segunda-feira aturando jornalistas, curiosos, pessoas mal-educadas.... Mas: se pensarmos que vocês seguranças também não têm condições maravilhosas de trabalho e que vivem reclamando disso e por salários melhores (ou atrasados), podemos entender que, com essas atitudes, vocês mesmos legitimam a situação: mais violência, menos entendimento, menos boa vontade, mais desigualdades. São também responsáveis por isso! Quanto mais eu ando pela rua, mais vejo que os que estão na base da pirâmide são os que mais ajudam a manter a desigualdade e a pobreza de espírito da sociedade! São os que mais trabalham por colocar vendas nos olhos (dos outros e deles próprios). E ainda reclamam!
Lá dentro: ainda cheiro de queimado. Não subi de elevador. Elisa e eu, firmes e fortes, rampa acima! Nada caiu em nossas cabeças, graças a Deus.
Conselho: novamente funcionários sem coragem para colocar a boca no trombone! SR1, SR2, SR3, o prefeito do campus, o reitor,,, Todos muito ocupados em dar as explicações que os peritos deram a eles. Coisas curiosas:
1) "A estrutura da UERJ está de parabéns!! Nham Nham!!" - um perito disse isso. Frase que merecia estar numa dessas colunas de humor de jornais. Estrutura de parabéns, gente? E ainda vamos ter de confiar no laudo de uma pessoa dessas... Vai ver ele não foi até o 12° andar, onde uma rampa caiu ano passado.
2) "A estrutura não foi afetada, apesar de duas colunas do 2° andar terem sofrido séeeerios danos" - Não foi afetada? Hum....
3) "Não havia mangueiras de incêndio suficientes. Há 4 anos comparamos todas que podíamos comprar" - Me deu até vertigem essa....
4) "Não havia tantas saídas de água quanto precisávamos, mas conseguimos apagar o fogo" - Vivas!!!
Entre outras tantas pérolas....
Enquanto isso, a candidata a reitora Maricélia (lindo nome!!!) estava lá, dentro de um confortável moleton (aliás, cafonérrimo! Espero um dia eu também poder trabalhar de moleton...), estampando a camisa de sua candidatura. Lá fora, alunos-voluntários aproveitavam o movimento de 12 pessoas pelos corredores para fazer campanha: colavam cartazes em paredes, porta de elevadores.... A eleição deve estar realmente disputada!
Saída: não permaneci no Conselho até o final porque tinha de trabalhar e porque estava com ânsia de vômito já! Quando é que as pessoas vão aprender a se mobilizar? Abrir a boca mesmo? Falar alto? Peitar autoridades? Deixar interesses pessoais de lado? Porque, minha gente, a história já nos provou que temos poder e voz. Mesmo que para isso muitos tenham de se sacrificar. Fiquei com um gosto estranho na boca o dia todo, uma sensação de que não dá para se calar, apesar de muitos já terem feito isso.
Futuro: espero sinceramente que as aulas possam recomeçar logo COM SEGURANÇA y otras tantas cositas más. Espero que as pesoas entendam de uma vez por todas que um simples passo que dão muda o rumo de toda a história. Basta dar o passo.
POR EM
10:14 PM
Express Yourself:
Segunda-feira, Outubro 01, 2007
É pau, é pedra... É fogo! (É exagero dizer que é TUDO e mais um pouco??)
Ontem, assim que soube do incêndio que tomou conta da UERJ, imediatamente acessei o Google para saber mais notícias. E confesso que foi muito difícil ver a foto (abaixo) sem ficar com água nos olhos.
Muitos podem não sentir o mesmo (e eu não quero parecer histérico aqui), mas o que foi danificado pelas chamas não foi apenas o prédio. Mas sim o que vem sendo danificado por anos: o respeito pela Educação. Há tempos muitas pessoas de diversos movimentos tentam fazer com que a sociedade e as autoridades voltem seus olhos para os problemas que a UERJ enfrenta. Mas nada acontece.
Quem estuda lá sabe: as condições são precárias dos banheiros às salas de aula. Os funcionários (como todos os trabalhadores desse país) são mal remunerados e desrespeitados. Todos nós, ligados ou não de alguma forma à UERJ, estamos sendo digeridos pelo o que nós mesmos legitimamos enquanto sistema.
O incêndio atingiu pelo menos quadro andares do bloco F. Pelo menos: isso porque não há informações comprováveis sobre nada! Volta às aulas? Terça-feira? Quarta? Quinta? E o pagamento dos servidores? No site da UERJ, informação alguma até agora!
O fato é que o incêndio foi muitíssimo pior do que o divulgado. Pelo o que sei, até o 11° andar foi danificado. 11° andar!! Considerando que o fogo começou no 2°, o socorro demorou muito para chegar e o fogo se alastrou, mais uma prova do descaso.
Semana passada, um jovem suicidou, atirando-se do 12° andar. Um fato lamentável e realmente triste. Quantas e quantas pessoas andam por aqueles corredores todos os dias e podem, vez ou outra, pensar numa coisa dessas? Não há como dizer se ele estava certo ou errado, julgar o fato em si como loucura, porque nunca sabemos exatamente pelo que uma pessoa passa nessa vida nem como estão suas forças. Ele não foi o primeiro a se atirar, não será o último.
Quantas e quantas pessoas entram e saem da UERJ sem se identificar, podendo carregar em suas mochilas qualquer coisa? Sim: já houve assaltos, estupros... E faltou mencionar a rampa que caiu ano passado! Aquilo está desabando de todas as formas que uma coisa pode desabar.
Enfim... Abaixo, trecho do e-mail da professora Maria Consuelo, de Literatura Brasileira:
"...o campus está interditado por tempo indeterminado.Vários andares, até o 11°, foram atingidos. Só temos que lamentar nada, temos de fazer TUDO QUE PUDERMOS , pois aquilo está desabando...
Foi muita sorte não haver mortos ou feridos, como não os houve no desabamento da marquise em janeiro de 2006.Mas não podemos, os 23 mil alunos e os milhares de professores e de funcionários administrativos, ser passivos e acreditar que vai continuar assim.Esta é a crônica de um fim há muito anunciado.Temos de mobilizar nossas entidades, CAS, DCE, ASDUERJ, SINTUPERJ, etc, e EXIGIR do governador em exercício a presença no campus, comvocar os 70 deputados estaduais, uma coletiva da imprensa escrita, televisada, on -line, nacional e internacional.Passe adiante, ajude a mobilizar.
Abraço,
Consuelo"
É, minha gente, a chapa esquentou na Uerj (literalmente). Recebi de uma amiga o seguinte scrap e estou repassando:
"PESSOAL, VAMOS PROVAR QUE QUEREMOS UMA UERJ DECENTE!!
PROTESTO CONTRA CONDIÇÕES PRECÁRIAS DE ESTUDO NA UERJ
QUARTA-FEIRA, ÀS 10H, EM FRENTE AO PORTÃO PRINCIPAL (SÃO FRANCISCO XAVIER)
TODOS VESTIDOS DE PRETO PARA DEMONSTRAR O LUTO COM A MORTE DA NOSSA UNIVERSIDADE!!! NÃO DEVEMOS VOLTAR NA QUINTA!!!É IMPOSSÍVEL QUE HAJA SEGURANÇA SUFICIENTE PARA ESTUDARMOS!!!! VAMOS NOS MANIFESTAR E NOS UNIR!!!"
Para finalizar: aquela foto lá em cima representa muita coisa. A UERJ cinza, envolta em fumaça... Eu espero sinceramente que as coisas possam voltar melhores e mais seguras do que estão nesses últimos anos.
Isso tudo é de responsabilidade de todos nós.
POR EM
4:05 PM
Express Yourself:
Domingo, Setembro 30, 2007
5 ANOS! [à beça]
Quantas coisas podem acontecer em um dia? Em um ano? Em cinco anos?
Cinco anos: meia década.
Mil amores.
Novos furos no corpo.
Cicatrizes. Remendos e costuras.
Neurônios que conectaram-se. Milhões de outros que morreram asfixiados.
Pessoas que estão aqui. Outras que já foram pra lá.
2.456.856.552.114 gargalhadas (espontâneas talvez).
Esquinas que surgiram num susto. Quantos passos podemos dar nesse período de tempo?
[Histórico: criei o Diário na sala de informática do CPII.
Histórico: ficha limpa: nada de homicídios, roubos, furtos, agressões, passagens pela delegacia. Mas o que isso quer dizer no final das contas?
Histórico: do ensino médio à quase graduação.
Histórico: minha voz continua a mesma, mas...]
5 anos: tenho uma foto, tirada por meu pai quando eu estava na piscina, na qual eu apareço tomando um baita susto. Ele era mestre em assustar pessoas. Tinha cinco anos na época e a impressão que eu tinha de tudo ainda hoje é a de que os momentos são elásticos. Podem se esticar até quase romper. Semana passada olhei essa foto, revisitei essa lembrança, e o engraçado é que me pareceu que não faz tanto tempo assim.
A primeira frase escrita no blog foi: “São exatamente 8:37 da manhã e eu tô aqui no laboratório de informática da escola...”
A frase mais vezes escrita deve ter sido: “Quanto tempo sem escrever!”
A mais recente frase é essa que você está lendo agora.
ENJOY IT!
POR EM
12:06 AM
Express Yourself:
Domingo, Julho 29, 2007
L’amour?
Gente, isso dá o que pensar! O que realmente as pessoas procuram?
Multiplicam-se sites de encontros. Multiplicam-se maneiras de conhecer gente (carne) nova. Multiplicam-se as possibilidades. Festas, orgias dionisíacas, uma balada atrás da outra, sedução, bebida subindo pela cabeça (de repente, todo mundo se tornou atraente demais!), blá, blá, blá... Um universo de chances! Mas e aí? E aí nada, caro leitor. E a resposta para tão angustiante questão não é fácil nem é apenas uma.
Não ando pensando nesse assunto. Pelo contrário, acho que penso até pouco nas questões relacionadas ao amor. Mas depois do contato com certas pessoas, tive de mirabolar um esquema para entender o desespero que assola certas almas.
Vamos com calma, pessoal. O século virou, as coisas aconteceram e estamos definitivamente em um momento muito particular da História (agora é a hora de eu enumerar os muitos fatores que acarretaram o cataclismo amoroso). Vivemos em um momento de individualismo profundo, de desejos cada vez maiores e mais avassaladores. Lipovetsky tinha razão. É a moda, é o self-service de corações encarcerados, é pau, é pedra, são poucos os momentos de verdade absoluta trespassando nossos corpos.
Bem, essas são algumas respostas-que-podem-ser.
Mas o que queria mesmo deixar nítido para todos vocês, é que a angústia da procura está tão misturada a outros tantos sentimentos que fica realmente muito complicado entrar em contato com pessoas, digamos, abertas para o Sublime. Sim, Ele ainda existe. E o pior: as pessoas, tão desesperadas, deixam de enxergar o próprio valor para ir atrás do que parece ser o último trem que parte de suas estações.
Vamos fazer a conta: uma vida tem em média quanto tempo? Sessenta, oitenta anos? Bem, não preciso fazer estatística para saber que durante esse tempo vou conhecer centenas de alguéns.
Portanto, leiam com atenção: não é preciso todas as vezes se agarrar aos cabelos de quem parece ser a personificação da felicidade amorosa. Não é preciso se arrastar, se acreditar sem carinho e sem coberta... Não é preciso reclusão, tristeza, tampouco revolta. Isso é o pior que se pode fazer contra si. As coisas são assim. Uns estão para sofrer enquanto outros riem. Mas são apenas momentos. E amanhã, com toda a certeza, você também vai dar um pé na bunda de alguém, vai pisotear os sentimentos de uma pessoa, vai virar as costas, seguir seu rumo. E nada está certo nem errado. É o jogo. Vence quem tiver mais amor-próprio.
Da mesma forma, durante a vida, aprendemos que o que é hoje já não servirá amanhã. O essencial é estar aberto. É saber que uma ligação não atendida é apenas uma ligação não atendida, e que você vai ter de segurar sua vontade de falar com a outra pessoa, até que o melhor ou o pior (?) aconteça. Não adianta enxergar as milhões de possibilidades ao redor, se não conseguimos guardar na memória a geografia de nossos rostos depois de nos olharmos em espelhos.
POR EM
11:44 PM
Express Yourself:
Domingo, Julho 08, 2007
Como nossos pais?
Deixe-me ver se entendi: tá tudo cagado mesmo? O mundo enlouqueceu definitivamente? Ou será ainda tem muita coisa horrorosa vindo por aí? – estúpido que sou, não é mesmo? Afinal, todos sabemos as respostas para as perguntas acima: sim, sim e sim.
Os fatos: “n” casos de filhos (menores ou não) que esfaqueiam, atiram, esquartejam seus pais, mães e avós. Depois, enterram seus progenitores no quintal, ou os jogam em valões, rios, lagos, aterros sanitários... Outros “n” casos de guerras entre favelas e entre favelas e policiais que acabam por matar inocentes. Segunda-feira: porteiro vítima de bala perdida. Terça-feira: estudante morre após ser atingida por bala perdida. Quarta-feira: mãe morre ao proteger filha em tiroteio, Quinta-feira: blábláblá bala perdida. E assim vamos que vamos.
Hoje, os seguintes destaques: inspetora de colégio é pisoteada por alunos enquanto abria o portão para a saída dos mesmos (Ps: Crianças de 5° a 8° série). Professora tem o cabelo incendiado por aluno em sala. Aluno decepa dedo de professora com a porta. Notícias dignas dos piores jornalecos.
Daí eu fico pensando: durante toda a história, o homem sempre respeitou e temeu as instituições, por serem elas que sustentavam o mundo. Escola, Igreja, Família... Agora, no século XXI, parece que, a cada troca de canal, a cada folhear de jornal, a cada esquina, nada mais faz tanto sentido. Não quero afirmar aqui que devemos manter as mesmas idéias de instituição que tínhamos há alguns anos (nem tantos assim, tempos de nossos pais). A aderência da individualidade em nossas vidas é tão forte, que se torna impossível cultivar valores coletivos ou não. Obviamente, as instituições variam, graças a Deus. Variaram durante toda a história. Mas a questão é que sempre existiu algo socialmente muito mais forte do que o individual para substituí-las. Agora, nada existe.
Vendo todas essas notícias, sem conseguir fechar os olhos nem trocar de canal nem desligar a TV, acredito que todas as soluções que gaguejamos todos os dias não são mais suficientes para os problemas atuais. Prisão perpétua? Balela. Pena de morte? Blah. Maioridade penal? (vontade de rir). Estamos em 2007, pessoal! Daqui a pouco será 2010, 2020... Os valores continuam sendo formados, cada um de nós contribuindo com nossos passos solitários – formando o mundo sim! Construindo a realidade, negando valores, moldando novos muito fracos que são inúteis na manutenção da sustentabilidade de uma sociedade possível de ser vivida.
Lembro-me sempre de meu pai e minha mãe dizendo: no meu tempo, a gente via coisas ruins, mas não era desse jeito não. Pois é. Nunca mais (e vale a pena repetir: nunca!) poderemos dizer que ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.
POR EM
11:05 PM
Express Yourself:
Domingo, Junho 24, 2007
Quero sentir o entre que existe no meio de nós. Basta que não me faça pedidos quando vir meu corpo riscar o céu. Não sou estrela cadente, sou meteoro. E sabemos todos, inteligentes que somos, que um minuto pode durar menos do que um segundo, pode durar horas. Que poderia ter feito eu então diante da certeza de que você não seria capaz jamais de estender um minuto por horas? Abandonei a mesa, paguei a conta às pressas, sumi dentro do vento.
E eu queria era que tivesse sido natural. Que o meu e o seu tempo congelassem juntos, que o minuto que compartilhamos fosse estendido e pesasse sobre as ruas, que descesse como nuvem de raios sobre a cidade desatenta. Mas isso é querer o impossível, eu sei.
Daí, flashbacks. Quando éramos crianças, lembranças amarelo-pálidas, nossos minutos se juntavam, nossa noção daquilo tudo era tão poderosamente uma que não conseguíamos nos mover. E eu me lembro do dia em que ficamos paralisados no quintal, pasmos sem perceber, cheios de ar simplesmente porque aquela compreensão de que éramos nós que fazíamos a Terra girar era partilhada - exatamente no mesmo momento, pelos dois.
Hoje, pasmo sozinho. Meu minuto dura horas às vezes, mas o seu está sempre na contramão do tempo em mim. Ontem, enquanto eu pensava que chegávamos ao lampejo comum, sua temperatura oscilou, e foi visível como estava tudo mudado: eu ainda naquele minuto estendido em um século, você entalado na passagem que te levaria às horas posteriores, sim, porque sua cabeça já estava a muitos instantes para além do meu.
São possíveis infinitas possibilidades de relacionamentos entre as pessoas. E eu aqui não preciso detalhar quais, indo do mais fraternal, passando pelos arroubos do amor, chegando ao que possa existir de mais sexual (sujo ou não). Não preciso detalhar porque, depois disso tudo, não acredito que entenderia. Outra coisa que aprendemos nessa vida é que nem sempre quem sabe ler entende o que as entrelinhas gritam. E, sabendo que são infinitas as possibilidades, esquecemo-nos de compartilhar sempre, atrapalhamo-nos na leitura apresada do outro, gestos, face, palavras. Perdemos os minutos em comum. Esquecemo-nos de compartilhá-los e deixamos que o mais profundo amor-paixão ou o mais profundo desejo sexual desça pelo ralo, mergulhe no vácuo e suma da memória, justamente porque perdemos o poder da alquimia que costumava existir no entre nós. Há alguns anos, há alguns séculos...
POR EM
9:17 PM